Pesquisadores descobriram que limitar o acesso das células cancerígenas a lipídios pode potencializar o tratamento contra o câncer. O estudo sugere que essa estratégia poderia ajudar medicamentos anticâncer a eliminar células malignas com mais eficácia, promovendo a morte celular por ferroptose — um processo que leva à morte celular. A ferroptose é uma área promissora de pesquisa, pois explora uma fraqueza em células tumorais que permite eliminar células doentes sem afetar as saudáveis. Os cientistas demonstraram em modelos celulares que reduzir o acesso a lipídios torna as células cancerígenas mais suscetíveis à ferroptose. Os pesquisadores agora investigam se manipular a quantidade e o tipo de gordura na dieta poderia aprimorar ainda mais os efeitos dos medicamentos que induzem ferroptose. Assim, dietas personalizadas baseadas poderiam transformar a abordagem de tratamento contra o câncer no futuro.
Em outro estudo, pesquisadores identificaram um mecanismo que tumores ovarianos utilizam para impedir que as células T do sistema imunológico ataquem o câncer: eles bloqueiam o acesso dessas células à sua fonte de energia, os lipídios. Publicado na Nature, o estudo revela que uma proteína chamada FABP5, responsável por transportar lipídios para o interior das células T, fica presa no citoplasma, impedindo a absorção dos lipídios essenciais para a geração de energia. Esse bloqueio ocorre porque o tumor reduz a produção de uma proteína-chave chamada Transgelina 2, essencial para mover a FABP5 até a superfície da célula T. A equipe também testou a terapia de células CAR T, que geralmente é eficaz contra cânceres no sangue, mas mostrou-se limitada para tumores sólidos como o câncer de ovário. Para contornar essa barreira, os cientistas modificaram geneticamente as células CAR T com um gene de Transgelina 2 resistente ao bloqueio dos fatores de estresse do tumor. Essa alteração permitiu que a FABP5 chegasse à superfície celular e absorvesse lipídios, tornando as células CAR T muito mais eficazes no ataque ao tumor. O estudo abre caminho para novas abordagens de imunoterapia contra tumores sólidos agressivos.
Links para os estudos:
http://dx.doi.org/10.1016/j.chembiol.2024.09.008
http://dx.doi.org/10.1038/s41586-024-08071-y
Conteúdo por: Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130
Saiba mais: https://www.geneaxis.com.br
Torne-se um mestre em Genômica com nossos cursos on-line: https://geneaxis.com.br/cursos-e-aulas


