Um novo estudo sugere que manter os hormônios da tireoide sob controle durante toda a gestação pode ajudar a reduzir o risco de autismo nos filhos. Pesquisadores israelenses analisaram mais de 51 mil nascimentos e observaram que mulheres com desequilíbrio hormonal persistente em dois ou mais trimestres tinham maior chance de ter crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA). Em contraste, gestantes com disfunções da tireoide tratadas adequadamente não apresentaram esse risco aumentado.
Isso indica que o problema não é simplesmente ter uma alteração da tireoide, mas não corrigir o desequilíbrio ao longo da gestação. Em outras palavras, o risco maior parece estar ligado ao tempo de exposição do feto a níveis inadequados de hormônios tireoidianos, e não ao diagnóstico em si.
Por que a tireoide importa tanto na gestação?
Os hormônios tireoidianos maternos são fundamentais para o desenvolvimento neurológico do feto, principalmente no primeiro trimestre e em fases em que o eixo tireoidiano fetal ainda está imaturo. Alterações persistentes, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo mal controlados, podem afetar processos críticos de formação do cérebro, mielinização e organização de circuitos neuronais.
O estudo reforça a ideia de que, quando esses desequilíbrios não são detectados ou corrigidos a tempo, o cérebro em desenvolvimento pode ficar exposto a um ambiente hormonal inadequado, o que poderia contribuir para aumentar o risco de alterações do neurodesenvolvimento, incluindo TEA, em alguns casos.
O que o estudo encontrou sobre tireoide e risco de autismo
Publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, os dados mostram uma relação do tipo dose–resposta: quanto mais trimestres da gestação com hormônios tireoidianos fora da faixa adequada, maior o risco de TEA nas crianças. Mulheres com alterações persistentes em dois ou três trimestres tiveram risco mais elevado do que aquelas com desequilíbrio em apenas um trimestre.
Por outro lado, gestantes com distúrbios da tireoide que receberam tratamento adequado e acompanhamento regular, mantendo os níveis dentro da meta, não apresentaram aumento significativo de risco. Isso sugere que intervenções precoces e bem monitoradas podem mitigar parte do impacto potencial sobre o neurodesenvolvimento.
Importante: trata-se de um estudo observacional. Ele mostra associação, não prova que o desequilíbrio tireoidiano causa autismo de forma direta. Ainda assim, reforça a necessidade de monitorar a função tireoidiana como componente essencial do pré-natal.
O que isso muda na prática do pré-natal?
Na prática clínica, os achados reforçam a importância de:
– Rastrear e monitorar função tireoidiana em gestantes com fatores de risco (história prévia, sintomas, autoimunidade, infertilidade, entre outros).
– Ajustar precocemente a medicação (por exemplo, levotiroxina) para manter TSH e T4 dentro de faixas-alvo apropriadas para cada trimestre.
– Repetir exames ao longo da gestação, em vez de depender de uma única dosagem no início da gravidez.
– Integrar essas informações ao acompanhamento global do risco de TEA e de outras alterações do neurodesenvolvimento.
Para famílias, a mensagem é que um exame simples de sangue aliado a seguimento adequado pode fazer parte de uma estratégia de cuidado que considera não só a saúde materna, mas também a saúde neurológica futura da criança.
Assista em vídeo: tireoide na gravidez e risco de autismo
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Conteúdo elaborado por:
Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130


