hábitos que rejuvenescem o cérebro e tornam a idade cerebral mais jovem

Hábitos simples que podem rejuvenescer seu cérebro em até 8 anos, segundo a ciência

Você pode ter 65 anos no papel, mas o seu cérebro pode estar funcionando como o de alguém com 57 – ou, ao contrário, parecer mais envelhecido – dependendo dos seus hábitos de vida. Um estudo liderado por cientistas da Universidade da Flórida mostrou que fatores como otimismo, sono reparador, bom gerenciamento do estresse e vínculos sociais fortes estão associados a cérebros que parecem até oito anos mais jovens.

Mesmo entre pessoas com dores crônicas, aqueles que cultivavam esses comportamentos apresentaram envelhecimento cerebral mais lento, sugerindo que nossas escolhas diárias moldam a saúde do cérebro de forma profunda e duradoura – muito além do que números de idade no documento conseguem mostrar.

Como o estudo mediu a “idade” do cérebro

A equipe utilizou exames de ressonância magnética combinados com inteligência artificial para estimar a chamada “idade cerebral” de adultos de meia-idade e idosos. Em termos simples, trata-se de comparar o cérebro de cada pessoa a grandes bancos de dados de imagens, estimando se ele parece mais jovem ou mais velho do que a idade cronológica do indivíduo.

A partir daí, os pesquisadores analisaram quais hábitos de vida estavam associados a uma idade cerebral mais baixa. O resultado foi consistente: quanto mais comportamentos saudáveis os participantes tinham – dormir bem, manter peso adequado, evitar tabaco, cultivar otimismo e manter bons relacionamentos –, mais jovem o cérebro parecia.

Hábitos que rejuvenescem o cérebro em até 8 anos

O estudo destacou um conjunto de hábitos associados a um cérebro “mais jovem”:

Sono reparador, com qualidade e duração adequadas.
Otimismo e visão de futuro mais positiva.
Boa gestão do estresse, evitando estados crônicos de tensão.
Vínculos sociais fortes, com apoio emocional e convivência significativa.
Evitar tabaco e manter peso corporal adequado.
– Manter um estilo de vida ativo, dentro das possibilidades de cada pessoa.

Curiosamente, esses fatores se mostraram mais importantes do que renda ou escolaridade para a saúde cerebral ao longo do tempo. Isso não significa que desigualdades sociais não importem, mas reforça que, dentro de cada contexto, comportamentos cotidianos têm peso real na forma como o cérebro envelhece.

Dor crônica, estilo de vida e envelhecimento cerebral

Um aspecto importante do trabalho foi avaliar pessoas com dor crônica, que frequentemente apresentam pior qualidade de vida, mais limitação física e maior risco de depressão e problemas cognitivos. Mesmo nesse grupo, quem mantinha hábitos mais saudáveis – especialmente sono de melhor qualidade, vínculos sociais preservados e maior senso de propósito – tinha cérebros que pareciam mais jovens do que os de pessoas com estilos de vida menos saudáveis.

A mensagem é clara: comportamentos saudáveis não apenas aliviam a dor e melhoram a função física, como também parecem proteger o cérebro contra o envelhecimento acelerado. Em outras palavras, otimismo, sono adequado e boas relações podem ser tão importantes quanto remédios quando o objetivo é preservar o cérebro.

O que isso muda na prática?

Do ponto de vista clínico e de saúde pública, o estudo reforça que intervenções em estilo de vida – muitas vezes vistas como “coadjuvantes” – são, na verdade, pilares centrais de proteção neurológica. Para pacientes, a ideia de que o cérebro pode parecer anos mais jovem com a ajuda de hábitos consistentes pode ser uma forma poderosa de engajamento.

Não se trata de prometer milagres ou negar o papel de medicamentos e terapias específicas, mas de reconhecer que biologia, comportamento e contexto caminham juntos. Pequenas mudanças, mantidas ao longo do tempo – dormir um pouco melhor, reduzir o tabaco, fortalecer laços sociais – podem se somar a intervenções médicas e reabilitadoras para construir um cérebro mais resiliente.

Referência científica

Artigo original em Brain Communications.
DOI: 10.1093/braincomms/fcaf344.

Assista em vídeo: hábitos que rejuvenescem o cérebro

Cérebro, estilo de vida e medicina de precisão

Estudos sobre idade cerebral, dor crônica, inflamação e hábitos de vida mostram como a neurologia moderna e a genômica convergem para uma visão mais ampla de saúde: genes, ambiente e comportamento conversando o tempo todo. Para o médico, entender esse diálogo é essencial para aplicar uma medicina de precisão que vá além de exames e prescrições, incorporando intervenções em estilo de vida com base em evidências.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.