bloquear internet móvel melhora saúde mental e atenção.

Bloquear a internet móvel por 2 semanas melhora bem-estar, saúde mental e atenção

Um estudo recentemente publicado revelou que bloquear o acesso à internet móvel por duas semanas melhora de forma significativa o bem-estar subjetivo, a saúde mental e a atenção sustentada, com 91% dos participantes apresentando melhora em pelo menos um desses aspectos. Os benefícios foram parcialmente explicados pelo aumento de socialização presencial, prática de exercícios físicos e maior tempo em contato com a natureza.

A pesquisa recrutou 467 participantes e utilizou um aplicativo para bloquear apenas a internet móvel, mantendo acesso a chamadas e mensagens de texto. Durante a intervenção, o tempo médio de uso do smartphone caiu pela metade, passando de 5h14 para 2h41 por dia, voltando a subir após o desbloqueio – um sinal claro do quanto a hiperconectividade está entranhada na rotina.

Impacto em sintomas depressivos e atenção sustentada

Um dos achados mais marcantes foi a redução de sintomas depressivos, com efeito de magnitude Cohen’s d = 0,56, comparável ao observado em intervenções consagradas como terapia cognitivo-comportamental e uso de antidepressivos em alguns estudos. Embora não seja um tratamento substitutivo, o resultado acende um alerta: o padrão de uso de smartphones e internet pode estar contribuindo para o sofrimento psíquico de parte da população.

Outro ponto relevante foi a melhora da atenção sustentada, equivalente a um “rejuvenescimento cognitivo” de cerca de 10 anos. Em um cenário em que queixas de distração, dificuldade de foco e “cansaço mental” são cada vez mais comuns, esses dados reforçam a ideia de que a hiperconectividade pode fragmentar a atenção e sobrecarregar redes neurais responsáveis pelo controle executivo.

O preço da hiperconectividade e o desafio de desconectar

Em conjunto, os resultados sugerem que a hiperconectividade digital pode prejudicar a saúde mental e a cognição, ao reduzir o tempo dedicado a interações presenciais, sono de qualidade, prática de atividades físicas e experiências na natureza. Ainda assim, a pesquisa aponta que reduzir o uso do smartphone não é simples: houve desafios importantes de adesão, mostrando como o dispositivo se tornou central na organização da vida pessoal, social e profissional.

Para os pesquisadores, o próximo passo é investigar estratégias sustentáveis de desconexão digital: intervenções graduais, blocos de tempo offline, ajustes de notificações e mudanças no desenho das plataformas. A mensagem não é demonizar a tecnologia, mas reconhecer que, em muitos casos, o cérebro está sendo exposto a um volume de estímulos para o qual não foi projetado – com custo real em bem-estar e funcionamento cognitivo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação individualizada ou orientação de profissionais de saúde.

Referência científica

Artigo original em PNAS Nexus.
DOI: 10.1093/pnasnexus/pgaf017.

Assista em vídeo: 2 semanas sem internet móvel e o cérebro

Desconexão digital, cérebro e medicina de precisão

Estudos como este mostram que estilo de vida digital é parte integrante da saúde cerebral. Não basta olhar apenas para genes e neurotransmissores: é preciso considerar o ambiente de estímulos, o padrão de sono, o tempo de tela e a qualidade das interações humanas. Para a medicina de precisão, isso significa integrar genômica, hábitos e contextos de vida na avaliação de risco e na escolha de intervenções.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.