exercício pode aliviar depressão tanto quanto terapia ou medicamento.

Exercício pode aliviar depressão tanto quanto terapia ou medicamento

Uma revisão atualizada da Cochrane (publicada em 7 de janeiro de 2026) analisou 73 estudos com quase 5.000 adultos com depressão e trouxe uma mensagem bem prática: fazer atividade física regularmente pode reduzir os sintomas de depressão em grau moderado quando comparado a não fazer nada ou a cuidados mínimos. Em outras palavras, para muita gente, mexer o corpo pode ser uma ferramenta real – e acessível – no cuidado da saúde mental.

Nos estudos em que exercício foi comparado diretamente com terapia psicológica, o efeito apareceu muito parecido, dentro das incertezas das pesquisas analisadas. Isso não significa que qualquer caminhada substitua automaticamente psicoterapia, mas reforça que o exercício entra no mesmo patamar de relevância clínica como uma intervenção com base em evidência – especialmente quando é planejado e mantido de forma consistente.

Exercício, antidepressivos e o tamanho do efeito

A revisão também comparou diretamente exercício com antidepressivos e encontrou benefícios semelhantes sobre a redução de sintomas depressivos. Porém, os autores foram mais cautelosos nessa conclusão, porque havia menos estudos de boa qualidade nessa comparação específica. Ainda assim, o conjunto de dados reforça a ideia de que estilo de vida ativo não é apenas um “complemento opcional”, mas pode ser uma parte central da estratégia terapêutica.

A mensagem importante aqui não é “trocar remédio por exercício” ou “exercício no lugar de terapia”, mas entender que, para muitos pacientes, o movimento pode funcionar como um terceiro pilar ao lado de psicoterapia e farmacoterapia, a depender do caso, do grau de depressão e do que é viável na rotina de cada pessoa.

Que tipo de exercício funcionou melhor nos estudos?

No “como fazer”, a revisão apontou que os melhores resultados tendem a aparecer com atividade física de intensidade leve a moderada, estruturada em programas contínuos com aproximadamente 13 a 36 sessões. Em geral, os estudos relataram poucos efeitos colaterais relacionados ao exercício, o que reforça a segurança dessa estratégia quando bem orientada e adaptada às condições clínicas de cada pessoa.

Isso inclui desde caminhadas programadas até treinos aeróbicos e de fortalecimento, muitas vezes em grupo ou supervisionados. Mais do que um “tipo ideal” único de exercício, o que se destaca é a combinação de regularidade, intensidade adequada e acompanhamento, para que a atividade seja sustentável e se encaixe de fato na rotina.

Limites da evidência e cuidados na vida real

Apesar dos resultados animadores, os autores lembram que ainda há pouco acompanhamento de longo prazo nos estudos avaliados. Não sabemos com precisão por quanto tempo o benefício se mantém nem qual é a melhor forma de adaptar o exercício para diferentes graus de depressão, comorbidades e contextos sociais. Além disso, assim como acontece com terapia e medicamentos, exercício não funciona igualmente bem para todas as pessoas.

Na prática, o recado é de equilíbrio e segurança: exercício pode ajudar muito alguns pacientes, mas o ideal é encaixar essa estratégia em um plano que a pessoa consiga manter, de preferência com acompanhamento profissional, e nunca interromper medicação ou psicoterapia por conta própria. Qualquer ajuste deve ser discutido com o médico ou com a equipe de saúde mental.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação individualizada, diagnóstico ou tratamento por profissionais de saúde. Em caso de sintomas de depressão, procure ajuda médica.

Referência científica

Revisão sistemática Cochrane atualizada em 2026.
DOI: 10.1002/14651858.CD004366.pub7.

Assista em vídeo: exercício físico e depressão na prática

Saúde mental, exercício e medicina baseada em evidências

Para médicos e outros profissionais da saúde, revisões como essa da Cochrane reforçam que prescrever movimento não é apenas um conselho genérico de “qualidade de vida”, mas parte de uma estratégia terapêutica com evidência. Integrar exercício a planos que também considerem genética, contexto clínico, adesão e preferências do paciente é um exemplo concreto de medicina de precisão aplicada à saúde mental.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.