videogame e saúde – impacto em sono, alimentação e peso.

O “ponto de virada” do videogame: quando o lazer começa a mexer com sono, alimentação e peso

Dá para curtir videogame sem culpa? Um estudo com 317 universitários de cinco universidades na Austrália sugere que sim – mas até certo ponto. Os pesquisadores compararam quem jogava pouco (0–5 horas/semana), moderado (6–10) e muito (acima de 10 horas/semana) e viram algo curioso: abaixo de 10 horas, os grupos pareciam bem parecidos em alimentação, sono e peso. Mas, quando o tempo passava de 10 horas semanais, aparecia a “virada”: pior qualidade da dieta, sono mais ruim, menos atividade física e um índice de massa corporal bem mais alto (mediana 26,3 no grupo que jogava mais, contra ~22 nos demais).

Em outras palavras, o problema não parece ser o videogame em si, mas quando ele começa a ocupar o espaço de outros pilares da saúde. O estudo é um retrato de universitários – um público que mistura rotina irregular, provas, vida social e, muitas vezes, pouco sono – mas ajuda a enxergar um padrão que ecoa em diferentes faixas etárias: quando a tela vai crescendo, o tempo para dormir, comer melhor e se mexer costuma encolher.

Acima de 10 horas por semana, o comportamento muda

No grupo que jogava mais de 10 horas por semana, os pesquisadores encontraram:

Pior qualidade da dieta;
Pior sono, com mais queixas de qualidade ruim;
Menos atividade física semanal;
IMC mais alto (mediana de 26,3, na faixa de sobrepeso, versus ~22 nos grupos que jogavam menos).

Importante: isso não significa que “videogame engorda” ou que a culpa é exclusiva do jogo. O estudo é baseado em questionários, uma fotografia de um momento da vida desses estudantes. Pode ser que quem joga mais também tenha rotina mais estressante, pior acesso a alimentação adequada, mais uso de tela à noite ou outros fatores que contribuem para o mesmo desfecho. Ainda assim, o padrão de “ponto de virada” acima das 10 horas é um sinal útil para orientar conversas sobre equilíbrio.

O recado prático: equilíbrio, não abstinência

O estudo reforça que o videogame pode fazer parte de uma vida saudável, desde que não comece a roubar o tempo de três pilares que seguram a saúde a longo prazo:

Comer melhor (e não trocar refeições por snacks na frente da tela);
Dormir bem (evitando jogar até muito tarde ou levar o jogo para dentro da cama);
Se mexer (manter alguma forma de atividade física regular).

Na prática, se você (ou seu paciente/filho) percebe que está ultrapassando com frequência esse “limite” de 10 horas semanais e, junto disso, surgem sinais como sono pior, lanche descuidado e menos movimento, vale experimentar pequenos ajustes: colocar alarme para pausas, evitar jogar tarde da noite, planejar um lanche decente antes de sentar para jogar e “pagar” o tempo sentado com um pouco de movimento ao longo do dia.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação individualizada por profissionais de saúde. Cada pessoa tem contexto, rotina e necessidades específicas que devem ser consideradas.

Referência científica

Artigo original na revista Nutrition.
DOI: 10.1016/j.nut.2025.113051.

Assista em vídeo: videogame, sono, alimentação e peso

Tempo de tela, estilo de vida e medicina de precisão

Estudos como este ajudam a tirar a conversa sobre videogame do campo do “pode ou não pode” e trazê-la para o terreno das evidências e do contexto. Para médicos e profissionais de saúde, olhar para sono, alimentação, atividade física e tempo de tela lado a lado é uma forma prática de aplicar o raciocínio da medicina de precisão: menos foco em culpados isolados e mais atenção ao conjunto de hábitos que, somados, moldam risco e proteção ao longo da vida.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.