Estudo indica que ibuprofeno e paracetamol podem induzir e potencializar resistência bacteriana, sobretudo quando combinados à ciprofloxacina.

Dor que custa caro: analgésicos comuns podem acelerar a resistência a antibióticos

Estudo mostra que ibuprofeno e paracetamol podem favorecer resistência bacteriana — e potencializar o efeito quando combinados a antibióticos.

Dor que custa caro. Medicamentos amplamente usados, como ibuprofeno e paracetamol, podem induzir resistência bacteriana e ampliá-la quando associados a antibióticos como a ciprofloxacina. Em cenários de polifarmácia — comuns em instituições de longa permanência — o risco é ainda maior.

O que o estudo mostrou

Ao testar nove fármacos de uso frequente em idosos, os autores observaram que a combinação ciprofloxacina + ibuprofeno/paracetamol favoreceu o surgimento de mutações em E. coli, resultando em resistência não só à própria ciprofloxacina como também a outras classes de antibióticos.

Como isso acontece?

  • Bombas de efluxo: os analgésicos ativam sistemas bacterianos que expulsam o antibiótico da célula, reduzindo sua eficácia.
  • Pressão seletiva: combinações de fármacos criam um ambiente propício para mutações e seleção de cepas resistentes.

O que muda na prática

  • Uso criterioso: não é recomendação de suspender analgésicos, mas de avaliar a necessidade, dose e tempo, sobretudo quando há antibioticoterapia.
  • Atenção a idosos: em instituições com polifarmácia, revisar esquemas e evitar associações desnecessárias.
  • Antimicrobial stewardship 360°: combater superbactérias exige ir além do antibiótico — considerar interações com outros fármacos.

Perguntas frequentes

Devo parar ibuprofeno ou paracetamol se estiver usando antibiótico?
Não há recomendação de suspensão automática. Converse com seu médico para avaliar riscos/benefícios e alternativas.
Quais combinações preocupam mais?
O estudo destaca ciprofloxacina + ibuprofeno/paracetamol. Em polifarmácia, reavaliar todas as associações é essencial.
Como reduzir o risco de resistência?
Usar antibióticos apenas quando indicados, na dose e tempo corretos; evitar automedicação; revisar analgésicos durante tratamentos.

Referências

  1. Nature Microbiology — Non-antibiotic drugs drive and potentiate antibiotic resistance

Conteúdo elaborado por: Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD — Médico Geneticista (CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130).

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Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.