gene da longevidade transferido do rato-toupeira-pelado para camundongos

Gene da longevidade aumenta saúde e prolonga vida em camundongos

O rato-toupeira-pelado é um dos animais mais curiosos da ciência: vive muito mais do que outros roedores, raramente desenvolve câncer e parece envelhecer de forma mais saudável. Agora, cientistas da Universidade de Rochester transferiram para camundongos um gene ligado a essa resistência biológica e os animais ficaram mais saudáveis e viveram mais.

O gene aumenta a produção de uma substância chamada ácido hialurônico de alto peso molecular (HMW-HA), que parece proteger contra tumores, reduzir inflamação e preservar tecidos durante o envelhecimento. No estudo publicado na Nature, os camundongos modificados apresentaram menor incidência de câncer, melhor saúde intestinal, menor inflamação e maior longevidade.

O que os cientistas fizeram

Os pesquisadores criaram camundongos transgênicos com superexpressão do gene Has2 do rato-toupeira-pelado. Esse gene está ligado à produção aumentada de hialuronano, especialmente na forma de alto peso molecular, uma característica já conhecida dessa espécie extremamente longeva. A ideia era testar se um mecanismo biológico evoluído em um animal com envelhecimento extraordinariamente saudável poderia ser transferido para outro mamífero.

O resultado foi notável: os camundongos modificados tiveram aumento de hialuronano em vários tecidos e desenvolveram um perfil biológico mais resistente a processos típicos do envelhecimento. Não se tratou apenas de “viver mais”, mas de manter uma condição orgânica melhor ao longo da vida.

Como o ácido hialurônico pode proteger o organismo

O ácido hialurônico de alto peso molecular parece atuar em várias frentes. Segundo o estudo, ele ajudou a reduzir inflamação crônica, proteger contra estresse oxidativo e preservar a integridade da barreira intestinal durante o envelhecimento. Além disso, os camundongos modificados tiveram menor incidência de tumores espontâneos e de câncer induzido experimentalmente.

Isso é importante porque envelhecimento saudável não depende apenas de “atrasar o relógio”, mas de evitar os processos que costumam acelerar dano tecidual ao longo do tempo, como inflamação persistente, perda de integridade intestinal e maior vulnerabilidade a câncer.

O que esse estudo muda na ciência da longevidade

A descoberta não representa uma “fonte da juventude”, mas reforça uma ideia fascinante: estratégias naturais de longevidade que evoluíram em uma espécie podem inspirar novas abordagens para promover saúde em outra. Em vez de procurar um único “gene mágico”, o estudo mostra que certos mecanismos biológicos de proteção podem ser exportáveis, ao menos em parte.

Isso abre caminho para pesquisas futuras sobre como modular hialuronano, inflamação, câncer e manutenção tecidual em humanos. Ainda estamos longe de uma aplicação clínica, mas o estudo amplia bastante o horizonte do que a biologia do envelhecimento pode oferecer à medicina.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica. O estudo foi realizado em camundongos, e seus resultados não significam aplicação direta ou imediata em humanos.

Referência científica

Artigo original em Nature.
DOI: 10.1038/s41586-023-06463-0

Assista em vídeo: gene da longevidade aumenta saúde e prolonga vida em camundongos

Longevidade, inflamação e medicina de precisão

Esse estudo reforça uma ideia central da medicina de precisão: mecanismos biológicos específicos de proteção, presentes em espécies extraordinariamente resistentes, podem ajudar a inspirar intervenções futuras para envelhecer com mais saúde. Em vez de focar apenas em tratar doenças isoladas, a ciência começa a explorar como proteger tecidos, reduzir inflamação e preservar função ao longo do tempo.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.