vitamina D câncer de mama e resposta à quimioterapia

Vitamina D no câncer de mama: estudo sugere melhor resposta à quimioterapia

Resumo do tema: um estudo brasileiro sugere que a suplementação diária de vitamina D, durante a quimioterapia antes da cirurgia, pode aumentar a chance de resposta completa ao tratamento em mulheres com câncer de mama. Os resultados são promissores, mas ainda precisam de confirmação em estudos maiores.

Transcrição revisada

Uma vitamina barata, amplamente disponível e frequentemente negligenciada pode estar ajudando mulheres com câncer de mama a responder melhor à quimioterapia. Pesquisadores da UNESP, no Brasil, observaram que pacientes que receberam suplementação diária de vitamina D durante o tratamento tiveram uma taxa maior de desaparecimento completo do tumor antes da cirurgia.

Após seis meses de quimioterapia neoadjuvante, 43% das mulheres que receberam vitamina D apresentaram resposta patológica completa, contra 24% no grupo placebo. Isso representa um aumento relativo importante na chance de resposta ao tratamento. A dose utilizada foi de 2.000 UI por dia, mais baixa do que a usada em muitos esquemas de correção de deficiência.

Ainda assim, o estudo não autoriza uso por conta própria. A vitamina D não substitui tratamento oncológico, e o resultado precisa ser confirmado em pesquisas maiores. Mesmo assim, o achado chama atenção por envolver uma estratégia simples, acessível e biologicamente plausível para potencializar a resposta à quimioterapia.

O que o estudo mostrou na prática

O ensaio avaliou mulheres com câncer de mama em quimioterapia antes da cirurgia, uma estratégia conhecida como quimioterapia neoadjuvante. O objetivo é reduzir o tumor e, em alguns casos, fazê-lo desaparecer completamente no exame anatomopatológico após a cirurgia.

Nesse contexto, a vitamina D foi associada a uma taxa maior de resposta patológica completa, um desfecho relevante porque costuma se relacionar a melhor prognóstico em vários cenários do câncer de mama.

Por que a vitamina D pode influenciar a resposta ao câncer

A vitamina D vai muito além da saúde óssea. Ela participa da regulação do sistema imunológico, da inflamação e de vias celulares ligadas à proliferação e à morte celular. Isso ajuda a explicar por que esse nutriente vem sendo estudado há anos como possível modulador da resposta ao câncer.

Outro ponto importante é que a maioria das participantes apresentava níveis baixos de vitamina D no início do estudo, o que é extremamente comum na população geral. Isso levanta a hipótese de que corrigir ou melhorar esse estado possa favorecer um ambiente biológico mais responsivo ao tratamento.

O que esse resultado ainda não prova

Apesar do resultado animador, esse ainda é um estudo relativamente pequeno. Ele sugere benefício, mas não prova de forma definitiva que a vitamina D, sozinha, melhora o prognóstico em todos os tipos de câncer de mama ou em todas as pacientes.

Também é importante evitar conclusões precipitadas: vitamina D não substitui quimioterapia, não é tratamento anti-câncer isolado e não deve ser iniciada em doses elevadas sem avaliação médica. A próxima etapa natural é testar esse efeito em estudos maiores e com seguimento mais longo.

FAQ rápida

Vitamina D trata câncer de mama?
Não. O estudo sugere um possível papel complementar durante a quimioterapia, não um tratamento isolado.

Qual foi o benefício observado?
Houve maior taxa de resposta patológica completa no grupo que recebeu vitamina D durante a quimioterapia neoadjuvante.

Pacientes devem começar a suplementar por conta própria?
Não. A decisão deve ser individualizada com o oncologista, porque dose, contexto clínico e níveis laboratoriais importam.

Quer aprofundar seu olhar em genômica e oncologia?

Na Geneaxis, transformamos ciência complexa em conteúdo clínico claro, aplicado e com rigor técnico. Se você é profissional da saúde e quer entender melhor genética, genômica e medicina de precisão aplicada ao câncer, conheça nosso curso online.

Conhecer o curso da Geneaxis

Precisa falar com a equipe? Entre em contato aqui.

Veja também este conteúdo nas redes da Geneaxis

• Instagram: ver publicação

• YouTube: assistir ao Short

• LinkedIn: ver post científico

• X: ver publicação em X

• TikTok: ver vídeo no TikTok

Referência científica: 10.1080/01635581.2025.2480854

Conteúdo elaborado por:
Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.