Resumo do tema: uma única sessão de sauna finlandesa de 30 minutos provocou um aumento temporário de diferentes tipos de glóbulos brancos circulando no sangue. O estudo ajuda a entender como o estresse térmico afeta o sistema imunológico, mas ainda não demonstra que sauna previna infecções ou produza benefícios duradouros para a imunidade.
Transcrição revisada
Uma única sessão de sauna pode provocar uma resposta rápida e mensurável do sistema imunológico. Em um estudo finlandês, adultos permaneceram durante 30 minutos em uma sauna tradicional e apresentaram aumento temporário de diferentes tipos de glóbulos brancos circulando no sangue.
Entre as células que aumentaram estavam neutrófilos e linfócitos, componentes importantes das nossas defesas imunológicas. O protocolo utilizou uma sauna com temperatura média de aproximadamente 73 °C e incluiu um breve banho de chuveiro após os primeiros 15 minutos.
Uma das hipóteses é que o estresse provocado pelo calor mobilize células imunológicas que estavam temporariamente armazenadas em tecidos e reservatórios do organismo, colocando-as em circulação. Um fenômeno semelhante de redistribuição de células de defesa também ocorre durante a atividade física.
O efeito, porém, foi predominantemente passageiro. Neutrófilos e linfócitos retornaram aos níveis anteriores cerca de 30 minutos depois. Outras populações celulares, incluindo monócitos, eosinófilos e basófilos, permaneceram elevadas por mais tempo.
Isso não significa que uma sessão de sauna previna infecções ou produza um fortalecimento permanente da imunidade. O estudo avaliou apenas a resposta imediata a uma única exposição. A descoberta é importante principalmente porque ajuda a entender como o calor pode modificar temporariamente a circulação das células do sistema imunológico.
O que aconteceu durante os 30 minutos de sauna
O estudo avaliou 51 adultos, sendo 27 mulheres e 24 homens, com idade média próxima de 50 anos. Os participantes eram assintomáticos, mas apresentavam pelo menos um fator de risco cardiovascular, como hipertensão, obesidade, tabagismo, diabetes, alteração de colesterol ou histórico familiar de doença coronariana.
Cada participante realizou uma única sessão de sauna finlandesa com duração total de 30 minutos. Após os primeiros 15 minutos, houve uma pausa de aproximadamente dois minutos para um banho de chuveiro, seguida pelo retorno à sauna.
A temperatura média medida no ambiente foi de aproximadamente 73 °C, com umidade relativa entre 10% e 20%. Durante o protocolo, os participantes puderam ingerir água.
A temperatura corporal medida no ouvido aumentou, em média, de aproximadamente 36,4 °C para 38,4 °C, confirmando que a sessão provocou um estresse térmico agudo relevante.
Amostras de sangue foram coletadas antes da sauna, imediatamente depois e novamente após 30 minutos de recuperação.
Os glóbulos brancos aumentaram rapidamente
Logo após a exposição ao calor, houve um aumento significativo do número total de leucócitos, os glóbulos brancos responsáveis por diferentes funções na defesa do organismo.
Os neutrófilos, que participam principalmente da resposta rápida contra microrganismos e lesões, aumentaram imediatamente após a sauna. O mesmo aconteceu com os linfócitos, grupo que inclui células fundamentais da imunidade adaptativa.
Cerca de 30 minutos depois, porém, as contagens de neutrófilos e linfócitos já haviam retornado aproximadamente aos valores basais.
Outro grupo analisado reuniu monócitos, eosinófilos e basófilos. Essas células também aumentaram após a sauna e permaneceram elevadas por mais tempo durante o período de recuperação.
Importante: encontrar mais células imunológicas no sangue não significa automaticamente que a pessoa ficou “mais imune”. O estudo demonstrou mobilização e redistribuição celular, e não maior proteção contra infecções.
Por que o calor pode mobilizar células de defesa
Nosso sangue contém apenas parte das células do sistema imunológico. Muitas permanecem temporariamente armazenadas em órgãos, tecidos, paredes dos vasos sanguíneos e outros compartimentos do organismo.
Situações de estresse fisiológico podem fazer parte dessas células entrar rapidamente na circulação. Isso acontece, por exemplo, durante exercícios físicos.
Os pesquisadores levantam a hipótese de que o calor da sauna provoque uma resposta semelhante. As células seriam mobilizadas temporariamente para o sangue e, posteriormente, redistribuídas para diferentes tecidos.
Essa circulação poderia teoricamente facilitar a chamada vigilância imunológica, processo pelo qual células de defesa percorrem diferentes regiões do organismo. Entretanto, o estudo atual não mediu diretamente se essa mobilização tornou a resposta contra microrganismos mais eficiente.
A resposta inflamatória foi menor do que se poderia imaginar
Além dos glóbulos brancos, os pesquisadores analisaram 37 citocinas, pequenas moléculas utilizadas pelas células para coordenar respostas imunológicas e inflamatórias.
Apesar da clara mobilização das células, apenas duas das 37 citocinas apresentaram mudança significativa após a sauna.
Isso indica que a exposição não provocou simplesmente uma grande reação inflamatória sistêmica. A resposta observada foi muito mais evidente na movimentação das células imunológicas do que nas concentrações das moléculas inflamatórias analisadas.
Curiosamente, diversas alterações nas citocinas apresentaram relação com o quanto a temperatura corporal de cada participante aumentou, sugerindo que a intensidade individual do estresse térmico pode influenciar determinados sinais imunológicos.
Sauna melhora a imunidade a longo prazo?
Essa pergunta ainda não pode ser respondida por este estudo. Os pesquisadores analisaram somente uma única sessão e acompanharam os participantes por apenas 30 minutos após o término da exposição.
Portanto, não sabemos se sessões repetidas produziriam adaptações duradouras, se o organismo desenvolveria respostas diferentes com o tempo ou se essas alterações resultariam em menor frequência de infecções.
Também é importante considerar que os participantes tinham idade média de aproximadamente 50 anos e apresentavam pelo menos um fator de risco cardiovascular. Os resultados não podem ser automaticamente generalizados para crianças, idosos frágeis, atletas ou pessoas com diferentes condições clínicas.
A conclusão mais adequada, portanto, não é que “sauna aumenta a imunidade”, mas que uma exposição aguda ao calor é capaz de modificar rapidamente a distribuição das células imunológicas no organismo.
FAQ rápida
Uma sessão de sauna realmente aumenta os glóbulos brancos?
Sim. No estudo, diferentes populações de leucócitos aumentaram temporariamente na circulação logo após uma sessão de 30 minutos.
Isso significa que a sauna fortalece a imunidade?
Não necessariamente. O estudo mostrou mobilização de células imunológicas, mas não demonstrou que os participantes ficaram mais protegidos contra infecções.
Quanto tempo durou o efeito?
Neutrófilos e linfócitos voltaram aproximadamente aos níveis anteriores cerca de 30 minutos após a sauna. Algumas outras populações celulares permaneceram elevadas por mais tempo.
A sauna previne gripe, resfriados ou outras infecções?
Este estudo não avaliou prevenção de infecções e não permite essa conclusão.
Fazer sauna regularmente produz benefícios duradouros para a imunidade?
Ainda não sabemos com base neste experimento. Serão necessários estudos de longo prazo para determinar se a resposta aguda observada se traduz em benefícios clínicos persistentes.
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Referência científica:
Acute Finnish sauna heat exposure induces stronger immune cell than cytokine responses
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui avaliação médica individualizada. O estudo demonstrou alterações agudas nas células imunológicas circulantes e não comprovou prevenção ou tratamento de infecções.
Conteúdo elaborado por:
Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130


