cortisol alto e hipertensão resistente em estudo MOMENTUM.

Pressão “teimosa” pode ter um culpado escondido: cortisol alto em 1 a cada 4 casos

Sabe aquela situação em que a pessoa já toma três ou mais remédios, de classes diferentes, e mesmo assim a pressão continua alta? Isso é o que os médicos chamam de hipertensão resistente. Um grande estudo nos Estados Unidos, chamado MOMENTUM, trouxe um alerta importante: em uma parcela relevante desses casos, pode haver um problema hormonal pouco investigado por trás da pressão “teimosa”, o cortisol alto de forma persistente.

Entre os pacientes avaliados, cerca de 1 em cada 4 teve resultado compatível com hipercortisolismo em um teste simples: tomar dexametasona à noite e medir o cortisol no sangue na manhã seguinte. O dado chama atenção porque sugere que, em parte das pessoas com hipertensão difícil de controlar, o problema pode não ser apenas “precisar de mais remédio”, mas sim investigar se existe uma causa hormonal tratável por trás da resistência.

O que é hipertensão resistente?

Em termos práticos, falamos em hipertensão resistente quando a pressão arterial segue alta apesar do uso de três ou mais medicamentos anti-hipertensivos, de classes diferentes, ou quando a pessoa precisa de várias medicações para conseguir mantê-la controlada. Nesses casos, os médicos costumam pensar em causas secundárias, isto é, condições de base que dificultam o controle da pressão.

O novo dado reforça que uma dessas causas pode ser o excesso persistente de cortisol, um hormônio real do corpo que influencia pressão, glicose, metabolismo e composição corporal. Isso é diferente de dizer apenas que a pessoa está “estressada”: aqui estamos falando de uma alteração biológica mensurável, com potencial impacto clínico importante.

O que o estudo encontrou sobre cortisol e outros hormônios

Além da frequência relativamente alta de cortisol alterado, o estudo também encontrou outro distúrbio hormonal importante: o hiperaldosteronismo, condição em que o corpo produz aldosterona em excesso e isso também favorece pressão alta. Em parte dos participantes, os dois problemas apareceram ao mesmo tempo.

Outro achado relevante foi que pessoas com função renal pior pareciam ter mais chance de apresentar cortisol elevado. Isso é importante porque hipertensão resistente, doença renal e alterações hormonais podem se misturar, criando um quadro mais complexo do que simplesmente “pressão difícil de controlar”.

O que isso muda na prática?

A principal mensagem prática é bastante objetiva: se a pressão continua alta apesar de vários remédios, pode valer a pena conversar com o médico sobre investigar causas hormonais. Isso não significa que todo caso de hipertensão resistente seja explicado por cortisol ou aldosterona, mas mostra que ignorar essa possibilidade pode atrasar o raciocínio clínico.

Ao mesmo tempo, é importante manter uma leitura cuidadosa da evidência: o próximo passo será testar, em estudos controlados, se tratar esse excesso de cortisol realmente melhora a pressão de forma consistente. Ou seja, o estudo é forte para levantar o alerta e justificar mais rastreamento, mas ainda não fecha sozinho toda a história terapêutica.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com pressão arterial de difícil controle devem ser avaliadas individualmente, com discussão sobre adesão ao tratamento, estilo de vida, função renal e possíveis causas secundárias, incluindo causas hormonais.

Fonte do estudo

Cobertura pública dos resultados do estudo MOMENTUM:
ler cobertura do estudo

Assista em vídeo: cortisol alto pode estar por trás da pressão resistente

Hipertensão, endocrinologia e medicina de precisão

Esse tipo de estudo reforça uma ideia central da medicina de precisão: nem toda pressão alta é igual. Em alguns pacientes, o problema pode estar mais ligado a mecanismos hormonais do que ao modelo clássico de hipertensão essencial. Identificar essas diferenças pode ajudar a tornar o cuidado mais racional, mais personalizado e potencialmente mais eficaz.

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Conteúdo elaborado por:

Dr. Caio Robledo Quaio, MD, MBA, PhD
Médico Geneticista – CRM-SP 129.169 / RQE nº 39130

Dr. Caio
Robledo Quaio

CRM-SP: 129.169
RQE: 39130

Médico (90a turma) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência em Genética Médica pelo Hospital das Clínicas da USP e Doutorado em Ciências pela USP. Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, Acreditação Internacional pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, dos EUA, Observrship em Doenças Metabólicas pelo Boston Children’s Hospital e Harvard Medical School e foi Visiting Academic da University of Otago, da Nova Zelândia. É autor e coautor de dezenas de estudos científicos em genética, genômica, doenças raras, câncer hereditário, entre outros temas da genética. Atualmente, é Médico Geneticista do Laboratório Clínico do HIAE e do Projeto Genomas Raros, ambos vinculados ao Hospital Israelita Albert Einstein, e Pesquisador Pós-Doutorando da Faculdade de Medicina da USP.

Dra. Helena
Strelow Thurow

CRBIO-01: 100852

Graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado em Biologia Celular e Molecular pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Doutorado em Biotecnologia pela Universidade Federal de Pelotas (2011). Realizou Pós Doutorado em Epidemiologia e Pós-Doutorado PNPD em Biotecnologia, ambos na Universidade Federal de Pelotas. Posteriormente, realizou Pós-Doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Foi Analista de Laboratório no setor de NGS do Hospital Israelita Albert Einstein e atualmente é Analista de Pesquisa na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Tem ampla experiência na área de Biologia Molecular e Biotecnologia.